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Vivenciando o vulnerável em nós

  • Foto do escritor: Pelos Poros
    Pelos Poros
  • 17 de fev. de 2018
  • 3 min de leitura

O encontro do dia 09 de fevereiro foi uma vivência para trabalhar a nossa capacidade de sentir a vulnerabilidade a partir de uma dinâmica relacional triangular, onde cada um dos três participantes de cada grupo assumiam o papel de perguntador, respondedor e observador de modo sucessivo e sequencial no decorrer da dinâmica.

A vulnerabilidade é o tema que vem sendo explorado pelo grupo tanto a nível do discurso quanto a nível das sensações no corpo que o “sentir-se” vulnerável possa, eventualmente, provocar.


Estar vulnerável no mundo pode parecer, a princípio, um estado em que não consigamos nos proteger da carga emocional que vem do outro. Como se este outro não tivesse qualquer tipo de preocupação, cuidado ou filtro no convívio, nas palavras e nas ações, e que isto pudesse nos gerar uma tal inundação emocional, a ponto de sermos arrastados para um estado de sofrimento emocional e impotência.

Na verdade, qualquer tipo de comunicação violenta onde a imposição, a crítica, a invasão e o julgamento são exercitados como elementos principais do diálogo, nos deixam extremamente ativados e defensivos, ou, como é o mais comum de acontecer, mesmo antes de sermos alvo de tal tipo de comunicação já preparamos o nosso corpo para evitarmos o sofrimento, acionando estratégias de relacionamento que nos proteja e nos torne invulneráveis na convivência com o outro.


E aí que parece estar o ponto crucial: será que estarmos fechados nos garante que vamos, de fato, ficar imunes e invulneráveis ao que vem do meio envolvente e das relações que mantemos na vida cotidiana¿ Isto não implicaria também em ter de sermos menos próximos, menos afetivos e procurar entrar menos em contato com os nossos sentimentos, com a nossa verdadeira essência¿


Talvez nos deixar tocar ou mesmo ferir pelo outro, num movimento de abertura para a vida, possa expor a nossa fragilidade e possa nos deixar aparentemente vulneráveis, como se fôssemos nos tornar emocionalmente presas fáceis e ficarmos a mercê do outro.

Ocorre que se recebermos isso com consciência na alma e no corpo, poderemos acolher as nossas sensações e num processo de gentileza conosco, entrando em contato com os nossos sentimentos, separando o que é nosso e o que é do outro, aprendendo a recrutar recursos internos para dissipar as sensações emocionalmente desconfortáveis geradas a partir da relação com o outro, e também pelas nossas próprias sombras, poderemos praticar a aceitação, o perdão, a compreensão.

E isso nada mais é que amar. Amor advindo da fragilidade, da abertura, do se permitir sentir, sejam coisas boas ou não. Na verdade, sermos vulneráveis nos propicia sentir e amar com intensidade e profundidade, ainda que estejamos expostos a decepções e sofrimentos. Por outro lado, fechar o coração para evitar a dor é uma estratégia perigosa porque ao não nos permitirmos sofrer, não nos permitimos também amar. E a impossibilidade de amar vai nos desconectando afetivamente das pessoas, e, portanto, da vida.


Parece que a vivência em trio do dia 09 nos deu a oportunidade de experienciar um pouco desse tema. Ao nos depararmos em cada um dos lugares com a fala, a ansiedade, a invasão, o acolhimento, a frustração de não ser compreendido, a pausa do silêncio, o tempo do sentir, o atender ou não o que um esperava do outro, pudemos pelo menos nos colocar abertos e disponíveis e começamos a ter que lidar com os sentimentos e sensações a cada pergunta, resposta e reação que observávamos em nós e nos outros.

Finalmente, tudo indica que temos uma longa trilha emocional a percorrer, e talvez os vínculos afetivos que estamos começando a tecer neste grupo, praticando uma abertura cada vez maior e mais generosa de nossos corações, ensejarão um ambiente cada vez mais seguro para explorarmos nossos sentires com mais leveza, criatividade e amor.

Mauricio Buzanovsky

 
 
 

1 comentário


nellypb
nellypb
24 de fev. de 2018

Muito bem colocado, Mau 💚 Gostei de ler 🙏

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