O encontro com o meio
- Pelos Poros
- 7 de abr. de 2018
- 2 min de leitura
Dentro. Fora. Artificial? Autêntico? Tumulto. Falas se esbarrando umas nas outras. Reatividade e resistência. Quem está dentro? Quem está fora?
Quem está no meio?
Propostas em grupos são propostas desafiadoras... Nunca sabemos o que iremos encontrar nesse campo. É como se fôssemos ao encontro das zonas mais desconhecidas de nós mesmos.

Ao elaborar reflexões, práticas e vivências para nossos encontros de sexta me percebo animada, extasiada, reflexiva. Faço pequenos experimentos em meu corpo para perceber se há alguma informação corporal-afetiva que poderia ser compartilhada no grupo.
Na medida em que as pessoas chegam, meu corpo e meus afetos já entram em variação, já não sou aquela que elaborou um pequeno roteiro de explorações sensoriais-afetivas. Mas algo ainda fica.
Ao me relacionar com as falas, os olhares, os gestos, ansiedades, raivas e medos vou me re-configurando subjetiva e corporalmente. Respiro. Ancoro minha presença para não reagir de modo automático e cego. Respiro e opto por deixar as variações percorrerem meu corpo enquanto entro em relação com as questões que o grupo coloca. Meu roteiro vai por água abaixo.
O chão começa a ser criado coletivamente com pequenos direcionamentos e propostas que nascem do acontecimento. Minha intuição encontra canal de passagem. Ao perceber e sentir a entrega, disponibilidade e emoções em movimento, sejam elas quais forem, começo a me sentir em lugares amplos e abertos, internamente... A conexão com os outros é inevitável nesse lugar.
Enquanto tudo isso se passa em mim, na atmosfera e no contato, há um lugar, também, para as resistências, medos, inseguranças e raivas.
Aos poucos vou encontrando uma zona em que tudo coexiste e, que no final das contas, talvez, seja somente isso que importa. Aprender a olhar para nossa humanidade sem julgamentos ou pré-condições.
Cada um com uma experiência e sensação singular. Sensação esta que não cabe em nomenclaturas, definições ou julgamentos, já que tudo que experenciamos através do nosso corpo diz, exclusivamente, sobre o modo como nos relacionamos com nós mesmos e sobre nossa relação com o mundo.
Há de se ficar atento para que nossa mente analítica não tome todo o espaço. Podemos dialogar com ela, mas antes dela existir há um campo. E é justamente esse campo que queremos acessar. Um lugar onde todos cabem e onde todos se olham percebendo a zona comum que liga os seres. Esta zona, me parece, é o lugar da fragilidade, da vulnerabilidade e do transitório.
Em tempos de ódio e tristeza disseminada no campo social, político e afetivo, o trabalho em grupo, o estar junto, torna-se uma prática revolucionária. Perceber nosso tempo, nossos afetos e nossa caminhada pelo mundo como uma possibilidade para potencializar o que nos une. Distâncias já carregamos muitas...
Taísa Chehab





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