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O mundo entra e sai de nós

  • Foto do escritor: Pelos Poros
    Pelos Poros
  • 17 de fev. de 2018
  • 3 min de leitura

Hoje tivemos mais um encontro. Estamos ainda buscando um ritmo, é difícil conter nossa ansiedade, e o desconforto que as vezes sentimos, nossas mentes tomam conta e falamos e falamos, deve ser parte do processo.


A idéia é que entremos em contato com nossos próprios corpos, e percebamos com isso tambem o outro, como isso pode ser uma questão? Sim vamos distantes dessa terra, cheios de emoções e pensares, e esquecemos de estar presentes ali em nosso único veiculo de contato com o real. Isso é o normal das pessoas modernas, carapaças, objetos de troca, a prestidigitação ilusionista das personas e o vazio nos olhos, quando existem olhos. Ninguém mais é frágil, o temor apreensivo e o resguardo nos envolvem.

Compactuamos que a bolinha em nossa mão significava que era nossa vez de compartilhar nossa vulnerabilidade. O fizemos de boa vontade, claro sem pratica, exageramos no analítico e esquecemos que nossa voz se altera, ou talvez que não haja sentimento no discurso, só o habito de contar uma história daquilo que pensamos que somos. Mas nosso intento é real, e volta e meia se abre uma brecha na armadura, e acontece um retorno pro presente, ali defronte do outro, dos outros. É breve, mas sentimos que poderá ir ficando cada vez mais real e palpável, sentido pelos nossos poros. Hoje eu me percebi distante, eu queria não falar tanto de mim, é fácil ser tão auto absorvido e fazer disso um certo show.


Eu queria entender mais o outro e me importar, e não estar tão preocupado em agradar. Nervos expostos que o mundo toca tão bem quando me cutuca, botões de controle, resposta automática.

Alguém falou da dor de seu corpo, e do temor de que este não lhe responda tão bem, e foi uma das coisas entre tantas que me saia e me entrava nos poros. Outro citou sua relação com a raiva, que lhe move e motiva, eu pensei na minha que as vezes me amortece, meus poros piscaram um pouco talvez, não que eu tenha sentido, mas raiva não cai bem na idéia que faço de mim, na ideia que quero que façam de mim. Como a amiga doce, palhaça e sabida, descreveu me vi em dois polos, exaltado e exagerado, e rebaixado por meu proprio juizo... é uma sala tão justa e os poros, os poros abrindo Fechamos, o tempo parecendo curto e até demais, as palavras zunindo, ecos, distrações, elementos, um DNA inteiro de vidas e experiencias.


Me deitei em meu esqueleto, e vi, uma tristeza que me molhou os olhos, uma dó de mim sem vergonha de ter dó de mim, brevemente, pois a compostura me retornou pra me resguardar,pra que eu não me expusesse ao ridiculo. Meu olhar repousou sobre meu esqueleto quebrado, e talvez sobre um cerne da minha alma, e sobre o que nunca mais vai voltar a ser, meus olhos se umedecem agora.


Os olhos são porosos, o mundo entra e sai deles.


Lembro da amiga de longa envergadura dizendo que sua fragilidade era o desejo de ser amada, e que isso era belo. Fragilidade tornada em força, a carapaça se revelando a parte mais macia. É sim, esse desejo nos ensina a querer amar tambem, acho. A raiva que quer o amor do Pai ou da Mãe é bela também também é querer amar, é querer o mundo ainda que estilhaçado. Eu estou estilhaçado, nesse mundo parece que tudo é amor com sinal trocado. Saio de lá com um zumbido, não é um ruido, é uma tontura, um deslocamento. Não é bom ou ruim, algo que mexeu um pouco.


Guga Casari

 
 
 

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