top of page
Buscar

A âncora do encontro

  • Foto do escritor: Pelos Poros
    Pelos Poros
  • 1 de mar. de 2018
  • 2 min de leitura

Resquícios da raiva, agressão, cachorro, identificação com o agressor, estó ria contada por um, não percebida por alguém que se sentiu atropelada quando o outro tentou a versão que lhe era verdadeira, manifestações racionais, emocionais, carregadas, justas, confusão de línguas, ufa, chega!


Hora de ancorar, corporalizar, ombrear, mexer, mover, sentir em si, sentir no outro, sentir com o outro, deixar vir pulsações, sensações, desconfortos, harmonias, compartilhar a respiração, o ritmo acalma, propicia oprazer, gera segurança, convoca o desejo. Pronto, a viagem exploratória já pode acontecer.

A aventura do encontro, tempo de dar e receber, aceitar, confiar, entregar, fragilizar, vulnerabilizar. Toque de proteção nas mãos, a viagem começa, pouco a pouco os caminhos se descortinam, as mãos já sabem como tocar, os poros são estimulados, o corpo aos poucos se retesa e relaxa, contrai e expande, as ondas de prazer vencem a vergonha, os espasmos no corpo denotam o gozo sutil que o sorriso contido nos lábios não consegue esconder.


Troca. Como que agradecida pela experiência vivida, começa a explorar com tenacidade, com fome, mas como uma ternura da qual não há como se defender. Só resta entregar com mais profundidade a cada instante até perder a cabeça, como um toco boiando nas ondas ao deus dará. Toco desamparado que toca fundo, expõe a fragilidade crua e nua de todos, ferimentos não cicatrizados, a emoção toma conta de quem vê, as lágrimas descem.


Como terá sido viver a experiência de perder a cabeça não pela raiva, mas pelo acolhimento, cuidado, carinho, afeto¿


Outro par. Ela fica disponível para receber, mas não se permite. A criança ferida rouba a cena, recusa, rejeita como a devolver a rejeição já sofrida. Não discerne se o carinho que está recebendo é sincero, confiável. Melhor se proteger de dores que não quer reviver, o corpo tenso e contraído quer parar, fim. Hora de dar.


Seu corpo ainda inundado, opta por um apoio, um suporte, um “grounding” de costas contra costas. Mas a verdade da presença de costas é tão avassaladora que a segurança propiciada permite quase que um milagre.


De repente, o suporte tornado um adubo poderoso, tenho a sensação de estar vendo o desabrochar de uma flor. Não! de várias flores. Não! De uma Mulher! Ela veio iluminada, transmutada numa sensualidade rara, por absolutamente primária, ainda não contaminada pela sedução. Timidez e sensualidade convivendo em harmonia naquele momento. Maravilha!

Antes de ir embora, desta vez não tão atordoado, pude trocar abraços com todos, mas um especialmente com sabor de reparação pelo descuido ocorrido no último encontro. Longo, afetuoso e reconfortante. Obrigado, querida amiga. Gratidão a todos.


Mauricio Buzanovsky


 
 
 

Comentários


bottom of page